Geral
Comentários aos temas de redação do TRT12-SC (banca FCC)
Delicinha os temas de redação cobrados pela FCC no concurso do TRT12-SC 😉
Todos os 3 temas foram trabalhados no curso completo e havia muitos repertórios trabalhados no curso de revisão e no aulão que poderiam ser aproveitados para a temática.
AJAJ: Os limites do humor (coincidentemente cobrado no TRT-SP em 2017
AJAA: Direitos Coletivo e Direitos Individuais (coincidentemente cobrado no TRt15 em 2018)
TÉCNICO: A velocidade das informações não permite verificar se são falsas ou verdadeiras (coincidentemente cobrado no TRT9 em 2022)
Confira os meus comentários e modelos de redação sobre esses temas:
Comentários aos temas de redação TRT12 – cargos de analista
Comentários ao tema de redação do TRT12 – cargo de técnico
Modelo de redação sobre OS LIMITES DO HUMOR – Concurso TRT12 – AJAJ
Certa vez, quando questionado a respeito de qual seria o limite para o humor, o artista Jô Soares asseverou: “É morrer de rir”. Nesse sentido, o famoso apresentador formula uma defesa da liberdade no fazer humorístico, a qual, no entanto, não pode ser levada aos extremos do desrespeito à lei e da intolerância.
A princípio, destaca-se a discussão sobre a livre expressão na sociedade. De fato, tal direito é defendido desde a emersão do Iluminismo: segundo John Locke, filósofo inglês, a liberdade de expor o próprio pensamento é uma das prerrogativas fundamentais da sociedade, podendo ser considerada um direito natural. Entretanto, cumpre destacar que o usufruto dessa garantia não pode ultrapassar as barreiras erigidas pelo Estado Democrático de Direito, o qual, no Brasil, penaliza crimes contra a honra e discursos de ódio contra minorias.
Além disso, piadas ofensivas contra grupos vulneráveis reforçam a intolerância historicamente presente na sociedade brasileira. É o caso, por exemplo, de comentários racistas que, sob uma roupagem jocosa, atingem a subjetividade da pessoa negra, enquadrando-se no que o jurista Adilson Moreira chamou de “racismo recreativo” – práticas de discriminação que são consideradas escusáveis na sociedade em razão de soarem como “brincadeiras”. Assim, chistes direcionados às minorias acabam por constituir-se como “violência simbólica”, conceito do sociólogo Pierre Bourdieu que se refere a discursos os quais invalidam e desmerecem determinados grupos, dotando-os de valor simbólico inferior e, com isso, reforçando o preconceito.
Desse modo, é consensual a necessidade de proteger o direito de expressão de todos, de modo a dar azo à pluralidade artística e de pensamento. Contudo, piadas que ultrapassam os limites da legislação e do respeito devem receber reprimenda adequada. Afinal, mesmo Jô Soares, defensor da liberdade no fazer humorístico, sempre guardou respeito em relação à honra de outrem e ao respeito às minorias.
Obs.: é proibida a reprodução desta redação sem o consentimento do Profº. Raphael Reis
Modelo de redação sobre Direitos Coletivos e liberdade individual – Concurso TRT12 – AJAA
O filósofo iluminista Montesquieu foi um dos principais defensores da instituição de um Estado Democrático de Direito. Para o pensador, seria necessária a imposição do “Império da Lei”, o qual deve se estender sobre todos para garantir o funcionamento da democracia. Nesse sentido, ressalta-se a importância de
reforçar as conquistas referentes aos direitos coletivos, sobretudo em um
contexto de crise das instituições democráticas.
De fato, as garantias presentes na Constituição brasileira e no documento homólogo de diversos países foram conquistadas com o tempo. A esse respeito, o sociólogo Thomas Marshall argumenta que houve um longo caminho para incluir no rol dos direitos básicos todas as prerrogativas hoje presentes, movimento histórico no qual manifestações, pressões e diálogo foram instrumentos fundamentais. Assim, conforme o pensador, foi possível configurar-se a cidadania como a obtenção de direitos coletivos e o seu usufruto, cenário basilar para a manutenção do regime republicano.
Todavia, as bases do sistema democrático se encontram em
crise, o que emerge como uma ameaça ao pleno gozo das prerrogativas
constituídas. Esse cenário pode ser analisado à luz do pensamento de Manuel
Castells, para quem se vive hoje uma “crise de representatividade”, causada
pela descrença da população em relação à classe política em decorrência da
quebra de promessas, da incapacidade de resolução de problemas comuns e da
corrupção. Desse modo, é gestada uma revolta popular que traz riscos, inclusive,
à efetivação de direitos constituídos, como se pôde ver na invasão dos prédios
dos três poderes em Brasília no dia 08 de janeiro. Com efeito, o movimento se
deu em virtude da insatisfação popular, mas buscava subverter o próprio regime
democrático, colocando em risco a base dos direitos coletivos assegurados à
população.
Portanto, é preciso ampliar o conhecimento da história das
lutas em favor de garantias coletivas e fortalecer as instituições,
aproximando-as da sociedade, para evitar retrocessos. Assim, será possível
efetivar o “Império da Lei” e garantir que direitos e deveres recaiam
igualmente sobre todos.
Obs.: é proibida a reprodução desta redação sem o consentimento do Prof. Raphael Reis
Modelo de redação sobre A Velocidade das Informações não permite verificar se são verdadeiras ou falsas – Concurso TRT12 – Técnico
De acordo com o filósofo Hartmut Rosa, vive-se um processo de aceleração social, em que a tecnologia potencializa a velocidade da circulação das informações e do seu acesso. Com isso, as pessoas se veem diante de amplo escopo de dados, notícias e opiniões, cuja veracidade só pode ser checada diante da disposição do usuário e da dedicação de tempo para averiguar a realidade.
Em primeiro lugar, o cenário de múltiplas informações rapidamente disponíveis desestimula a busca pelos fatos. A esse respeito, a OMS criou o termo “infodemia” para se referir à epidemia de dados que se avolumam nas redes, observando que o usuário tende a perder a noção da distinção entre fatos e invenções. Nesse contexto, formam-se bolhas virtuais em que cada pessoa consome apenas conteúdos compatíveis com a própria visão de mundo em um processo nomeado de “pós-verdade” pelo filósofo Noam Chomsky: para ele, a contemporaneidade é marcada pela recusa à busca da verdade, de modo que as pessoas fazem a opção mais rápida e prática de assumirem como corretas as opiniões e notícias difundidas por seus pares em grupos e redes sociais.
Ademais, as prementes e múltiplas demandas da contemporaneidade dificultam que o indivíduo possa dedicar o tempo necessário à compreensão dos fatos. Sob tal prisma, o filósofo Byung-Chul Han afirma que a atualidade é marcada pela “ética do desempenho”, ou seja, as pessoas são sempre cobradas a trabalhar e produzir mais, sendo valorizadas pela sua produtividade. Com isso, há exigência intensa pela ampliação do tempo despendido no trabalho, o que exaure as forças e o tempo, tornando o processo de dedicar parte do dia à verificação de informações um luxo. Assim, o veloz fluxo de dados acaba sendo consumido pelos usuários da rede de forma passiva, sem uma checagem que permita o devido discernimento entre verdade e mentira.
Desse modo, a aceleração social descrita por Rosa é o pano de fundo de uma era em que a informação circula com enorme velocidade e em proporções nunca vistas. Como consequência, as pessoas são desestimuladas a dedicar energia e tempo à busca pelos fatos, reforçando a “pós-verdade” e a adesão à “ética do desempenho”.
Obs.: é proibida a reprodução desta redação sem o consentimento do Prof. Raphael Reis
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