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Esquerda ou direita na redação? O que agrada mais os examinadores?

Esquerda ou direita na redação? Descubra como não perder pontos no concurso

Quando o assunto é redação de concurso público, uma dúvida comum entre os candidatos é: “Preciso escrever de forma mais à esquerda ou mais à direita?” Essa preocupação é natural, afinal, muitos temas de redação envolvem questões sociais, políticas e econômicas que despertam debates acalorados na sociedade.

Mas a verdade é que, na redação do concurso, não importa se você é de esquerda ou de direita na vida real. O que vale é a sua capacidade de argumentar com clareza, coerência e embasamento crítico, sem cair em armadilhas ideológicas.

Confira esta aula que o Mago da redação fez no capricho sobre o que as bancas preferem: ideologia de direita ou de esquerda? Nela, há duas redações que foram realizadas ao vivo sobre o mesmo tema, mas com autores e perspectivas totalmente distintas.


Esquerda ou direita na redação: o que o avaliador espera de você?

O avaliador não está interessado em saber a sua opinião política pessoal. Ele quer avaliar:

  • Se você domina a norma culta da língua portuguesa;

  • Se consegue estruturar uma dissertação-argumentativa de forma organizada;

  • Se apresenta repertório sociocultural válido (leis, filósofos, autores, dados, obras literárias etc.);

  • Se defende uma tese equilibrada e bem fundamentada.

👉 Ou seja: o que conta não é a sua ideologia, mas sim a sua capacidade de analisar o tema de forma crítica e técnica.


Neutralidade estratégica: a chave para não perder pontos

Muitos candidatos escorregam porque confundem a redação do concurso com uma rede social. Não caia nessa.

Na sua redação:

  • Evite ataques diretos a partidos, governos ou figuras públicas;

  • Prefira usar argumentos universais, que não soam partidários;

  • Fundamente sua tese com Constituição Federal, direitos humanos, filósofos clássicos e dados oficiais.

Essa postura mostra maturidade intelectual e evita que o avaliador perceba sua redação como panfletária ou militante.


Então… posso escrever de esquerda ou de direita?

A resposta é simples: nem esquerda, nem direita. Redação de concurso é técnica.
Você pode até usar ideias que dialoguem com uma perspectiva mais progressista ou mais liberal, mas sempre com:

  • Equilíbrio nos argumentos;

  • Respeito à diversidade de opiniões;

  • Propostas de intervenção que respeitem os direitos fundamentais.

O segredo é transformar qualquer posição em um texto crítico, impessoal e objetivo.


Palavras-chave que você deve associar à sua redação

Para fixar bem, lembre-se: em vez de se preocupar em soar “de esquerda ou direita”, preocupe-se em destacar palavras e expressões como:

  • cidadania

  • direitos fundamentais

  • igualdade social

  • dignidade da pessoa humana

  • função social do Estado

  • justiça social

Esses termos são universais, aceitos em qualquer banca e mostram maturidade argumentativa.


Modelo de redação sobre as desigualdades sociais do Brasil com autores de Direita

As desigualdades sociais no Brasil são históricas, pois, em sua trajetória política, há a presença de um aparato governamental forte que impede as potencialidades humanas [contextualização]. Nesse sentido, para superar tal problemática, é necessário um Estado eficiente [tópico 1] que possibilite oportunidades a todos os indivíduos [tópico 2]

De início, cabe destacar que, sem um Estado bem gerido, é impossível reduzir desigualdades sociais. Nessa perspectiva, o pensador Adam Smith, pai do Liberalismo econômico, defendia que os principais serviços devem ser realizados pela iniciativa privada, a qual possui melhor gerência, alocação de recursos e distribuição das riquezas. Assim, o Estado deve estimular o empreendedorismo como fonte de renda e de desenvolvimento econômico de uma nação. 

Nesse viés, a valorização do mérito e da iniciativa individual deve ser uma diretriz do reconhecimento do esforço pessoal. A esse respeito, o pensador Von Mises defendia que as desigualdades são naturais e bem-vindas na sociedade, uma vez que estimulam a competitividade saudável e o progresso. Dessa forma, ao viabilizar que todos possam empreender com o mínimo de interferência estatal, haverá uma riqueza coletiva produzida por meio do trabalho dos indivíduos. 

Portanto, os desafios econômicos e sociais serão superados quando houver um Estado mínimo eficiente na gestão dos recursos e a liberdade necessária para que os indivíduos possam empreender. Assim, novas oportunidades surgirão e haverá um estímulo à produção de riqueza por meio de iniciativas privadas. 

Modelo de redação sobre as desigualdades sociais do Brasil com autores de Esquerda

As desigualdades sociais no Brasil são históricas, pois, em sua trajetória política, estruturada sob uma lógica liberal, aprofundou-se a miséria humana [contextualização]. Nessa perspectiva, o sistema capitalista perpetua relações desiguais [tópico 1] e disfarça uma sociedade que não promove oportunidades para todos [tópico 2]

Em primeira análise, é importante salientar que a lógica instrumental capitalista é baseada na concentração de renda. Sob esse viés, o filósofo Karl Marx reflete que essa estrutura econômica privilegia a exploração e a opressão dos trabalhadores, fazendo com que poucos acumulem bens materiais, e muitos vivenciem situações paupérrimas. Dessa forma, é necessária uma mudança radical na distribuição da riqueza gerada pela força de trabalho. 

Além disso, é fundamental destacar que parcela significativa da sociedade brasileira não possui acesso a direitos e oportunidades mínimas. Nesse sentido, o sociólogo Jessé Souza descreve a “ralé brasileira” como a massa de trabalhadores com parco acesso à educação e ao capital cultural legitimado, a qual fica submetida a condições de trabalho precárias e informais. Desse modo, é preciso garantir direitos básicos para que todos possam ter a oportunidade de prosperar. 

Diante do exposto, as históricas desigualdades nacionais demandam mudanças estruturais para a construção de um país mais justo e igualitário. Assim, somente com a democratização da riqueza gerada pelo trabalho e com o acesso aos direitos fundamentais será possível mudar a realidade social. 

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