Concursos Públicos

Modelos de redação dos temas cobrados no TJCE

Bruxos e Bruxinhas,

No dia 09/08/2026, a banca FCC cobrou no concurso do TJCE os seguintes temas de redação: O desempenho afeta a criatividade? para o cargo de Técnico e Solidão e a experiência Moderna para o cargo de analista.

Os dois temas foram trabalhados ao longo do curso e, na aula de possíveis temas quentes, desenvolvemos reflexões sobre produtividade e qualidade de vida.

Assista ao vídeo do Mago da Redação comentando os dois temas:

Modelo de Redação sobre O desempenho afeta a criatividade?

A obrigação de produzir pode alienar a paixão de criar quando o desempenho se transforma em exigência permanente e passa a organizar diversas dimensões da vida. Tal proposição é precisa para refletir sobre o trabalho na atualidade, visto que a hiperprodutividade imposta aos indivíduos comprime o tempo livre, demandando a proteção ao ócio e ao lazer como bases da criatividade.

De fato, a exigência constante de produtividade pode restringir as condições necessárias à invenção. Em “Sociedade do Cansaço”, Byung-Chul Han descreve uma sociedade do desempenho em que o sujeito é continuamente pressionado a produzir, superar limites e otimizar a si mesmo. Nesse processo, desaparece o “tédio”, entendido como estado de pausa e contemplação do qual pode emergir o novo. A discussão atual sobre a escala 6×1, colocada em foco pelo movimento “Vida Além do Trabalho” e pela deputada Érika Hilton, evidencia esse problema: jornadas extensas reduzem o tempo destinado à convivência, aos interesses pessoais e às experiências criativas, sendo imperativo preservar contextos em que o indivíduo possa existir para além da produtividade.

Por isso, o repouso e as atividades de lazer devem ser valorizados. Sob tal prisma, Domenico De Masi sustenta que lazer, aprendizagem e trabalho podem se integrar de modo fértil, já que a invenção frequentemente nasce em momentos de liberdade em relação às exigências imediatas de resultado. Tal perspectiva, chamada pelo autor de “ócio criativo”, é exemplificada pela reflexão de Virginia Woolf em “Um teto todo seu”, obra em que a escritora associa a produção intelectual e artística à necessidade de autonomia e disponibilidade de tempo. Desse modo, quando toda a rotina é ocupada por obrigações produtivas, reduzem-se também as condições concretas para imaginar, experimentar e criar.

Portanto, a exigência de desempenho máximo comprime o tempo livre, sendo necessário preservar os momentos de ócio para dar liberdade ao trabalho criativo. Assim, a redução da escala de trabalho deve se tornar uma realidade para proteger o repouso e o lazer, de modo a preservar contextos de atividade fora da lógica da produtividade.

 

Redação pronta sobre Solidão e a Experiência Moderna

A sociedade moderna ampliou as possibilidades de comunicação, mas não necessariamente fortaleceu os vínculos entre as pessoas. Nesse cenário, a presença cada vez mais ampla da solidão revela transformações sociais marcadas tanto pela fragilidade das relações quanto pelo aumento das interações mediadas pela tecnologia.

Em primeiro plano, o aumento do isolamento decorre da instabilidade dos vínculos contemporâneos. Nesse viés, Zymunt Bauman caracteriza a modernidade como “líquida”, destacando que ela é marcada por relações cada vez mais flexíveis, transitórias e sujeitas ao rompimento quando deixam de oferecer satisfação imediata. Essa lógica pode ser observada nos aplicativos de relacionamento, como o “Tinder”, nos quais a abundância aparente de possibilidades facilita a rápida substituição de parceiros. Assim, paradoxalmente, quanto maior a facilidade de conexão, menor pode ser a disposição para sustentar os conflitos, as responsabilidades e a permanência indispensáveis à construção de vínculos profundos.

Além disso, novas formas de sociabilidade digital podem produzir conexão permanente sem verdadeira convivência. Em “A Geração Ansiosa”, Jonathan Haidt relaciona a disseminação dos smartphones e das redes sociais à substituição progressiva das experiências presenciais por uma vida mediada por telas, sobretudo entre adolescentes, ampliando a solidão. Esse cenário encontra eco na última edição da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, segundo a qual mais de um quarto dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram sentir, na maior parte do tempo ou sempre, que ninguém se preocupa com eles. Desse modo, a prevalência de relações não corporificadas amplia a sensação do jovem de estar sozinho.

Portanto, resta claro que a sociedade moderna é marcada pela fragilidade dos vínculos e pelo uso excessivo de dispositivos digitais para conexão entre pessoas. Por isso, o enfrentamento dessa realidade demanda esforço para a constituição de vínculos e uma socialização pautada na presença.

 

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